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terça-feira, 15 de novembro de 2022

Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil

Redação que desenvolvi no primeiro dia da prova do ENEM 2022, sobre o tema: "Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil".

Wenderson Rodrigues F. da Silva - Viçosa, 13 de novembro de 2022.

O processo de ocupação do território brasileiro se deu de forma desordenada e hierarquizada, onde os mais abastados economicamente ditavam as diretrizes da ocupação. Foi assim no descobrimento do Brasil, com a expulsão e massacre dos povos indígenas, e ainda é até hoje, quando um derramamento de rejeitos de minério inviabiliza a utilização de um rio pelos povos tradicionais que dele fazem uso. Portanto, a valorização dessas comunidades originarias via políticas públicas de reparo e manutenção é fundamental para que possamos garantir uma sociedade justa pra todos.

As comunidades ribeirinhas, os pescadores no litoral, bem como as comunidades quilombolas no Cerrado e os povos originários, dentre outros, mostraram ter total capacidade de viver da terra, com compromisso intimo de preservação ambiental. Tais comunidades, quando incentivadas e orientadas por um órgão competente, poderão contribuir para um desenvolvimento sustentável do planeta, portanto, são fundamentais para frear o aquecimento global.

Os povos tradicionais, além de contribuírem ambientalmente, contribuem com as expressões culturais mais ricas para o país, preservando tradições seculares como os ritos nos terreiros de umbanda e os quilombos preservando tradições afro-brasileiras, dentre muitas outras. Mesmo assim, tais organizações sofrem com agressões e preconceitos diariamente.

A forma de contornar tais problemas se dará através da política. O poder executivo a nível nacional pode criar um “Ministério dos povos tradicionais”, por meio do qual suas secretarias poderão organizar ações socioeconômicas que visem conhecer a atender as demandas de tais comunidades. O censo do IBGE de 2022 irá contribuir para isso. Desse modo, com políticas públicas de promoção do bem estar social, paralelas a ações socioeconômicas e educacionais, se estará incentivando a valorização da cultura nacional e a preservação ambiental, bem como a dignidade desses povos.

 

quinta-feira, 24 de junho de 2021

"Água Solarizada - uma ferramenta quântica para limpar memórias negativas e auxiliar na melhoria da qualidade de vida", será ???

    

Wenderson Rodrigues Fialho da Silva, Viçosa, 24 de junho de 2021.

        Esse trabalho teve por objetivo analisar conteúdos da internet que utilizam de jargões científicos para apresentar produtos. Por meio de um embasamento científico, verificou-se as informações a respeito da chamada "Água solarizada", fornecidas no canal do Youtube: Beth Russo, como parte da avaliação da disciplina "Introdução à Física Quântica, no PER2 da Universidade Federal de Viçosa.

INFORMAÇÕES GERAIS

 

1. Tema verificado:

  • “Água Solarizada - uma ferramenta quântica para limpar memórias negativas e auxiliar na melhoria da qualidade de vida”.

2. Meio onde o conteúdo foi visto/lido:

  • vídeos.

3. Nome do programa/ veículo/ site/ livro/ rede social /etc onde o conteúdo foi visto/lido:

  • Canal do Youtube: Beth Russo.

4. Links onde podemos encontrar o conteúdo a ser checado:

5. Principais afirmações que foram checadas:

As afirmações abaixo foram retiradas do vídeo supracitado.

  • Quando um frasco de vidro azul contendo água é exposto a luz solar por mais de 1 hora, a água reage com a radiação e libera gases tóxicos como o flúor, deixando a água “totalmente alcalina”, “água pura”.
  • Devido a água ser boa condutora de eletricidade, ela “limpa a toxidade das células”.
  • A autora também diz que a água solarizada é recomendada para quem tem “problemas de saúde” e tem o poder de limpar do subconsciente memorias negativas, fazendo com que o indivíduo tenha melhor qualidade de vida. Ainda relata que conversar com a água, dizendo palavras amorosas antes de bebe-la, faz com que se forme nela cristais que potencializam a transmutação do DNA, o que aumenta sua eficiência (é citado o “Dr. Masaru Emoto”).

Discussões sobre o tema

        Trata-se de um vídeo hospedado na plataforma de vídeos do Youtube feito por uma psicóloga chamada Beth Russo em seu canal com mesmo nome (Figura 1), o qual acumula um total de 950 mil inscritos, tendo o vídeo aqui analisado um total de 203,245 mil visualizações até a data de ‎17‎ de ‎fevereiro‎ de ‎2021, ‏‎as 18h. O vídeo relata um processo de “purificação” ou “preparo quântico” de água para o consumo. Os materiais utilizados pela autora são uma garrafa de vidro semitransparente de cor azul, contendo água em seu interior e, no frasco, ela veda com plástico filme, e faz alguns furos que servirão para “liberar os gases tóxicos presentes na água após a reação com a radiação solar”. Feito isso, após uma hora de exposição a radiação solar, ela estaria pronta para consumo.

Figura 1:  página inicial do canal da autora da dica quântica: água solarizada azul.

        Dentre as afirmações citadas por ela acima mencionadas, analisaremos as duas primeiras, com apoio das ciências básicas, a física, a química e a biologia. A autora apresenta o seu vídeo com sendo uma “Dica quântica”, portanto, aqui faremos o uso dos conceitos necessários da Física Quântica, a fim de mostrar que a base cientifica por trás das afirmações apresentadas pela autora do vídeo são infundadas cientificamente.

          A autora do vídeo afirma que quando um frasco de vidro azul contendo água é exposto a luz solar por mais de 1 hora, a água reage com a radiação e libera gases tóxicos como o flúor, deixando a água “totalmente alcalina”, “água pura”. Analisaremos então os efeitos da radiação solar filtrada por um “filtro” de vidro azul e sua possível interação fotoquímica com a água. A radiação solar que chega até a troposfera, onde estamos localizados, pode ser visualizada no gráfico da Figura 2 abaixo.

Figura 2: espectro da radiação solar no topo da atmosfera, no nível do mar e uma curva associada a emissão de um corpo negro a temperatura de 5250ºC.

        O gráfico acima mostra o espectro da radiação para luz direta no topo da atmosfera terrestre (amarelo) e no nível do mar (vermelho). A luz produzida pelo Sol se assemelha a emissão de um corpo negro a temperatura de 5250 °C (cor cinza), temperatura essa que é aproximadamente a temperatura da superfície solar. A medida que a luz atravessa a atmosfera, parte é absorvida por gases com bandas de absorção específicas (por exemplo, os picos de absorção em bandas em torno de 900, 1100, 1400, 1900 e 2550 nanômetros (nm) acima apresentados) [1]. Portanto, a maior parte da radiação que chega até nos está situada em entre 400 e 900 nanômetros, tendo também bandas de menores intensidades na região do ultravioleta (200-400nm) e no infravermelho próximo (780-2500nm). Após passar por um filtro de vidro semitransparente de cor azul, a radiação solar transmitida pode ser vista no gráfico da Figura 3 abaixo [2]: 

Figura 2: espectro de transmissão de um vidro azul ártico. 

        Assumindo que a transmitância do vidro utilizado pela autora também apresente um espectro semelhante ao do vidro ártico azul, o que é bem provável, chegamos que a radiação que passa para dentro do frasco está concentrada na região visível, principalmente na banda 400-550nm, e na região do infravermelho próximo. Como observado na Figura 1, a água absorve a radiação em picos na região do infravermelho, transmitido fótons compreendidos na região do visível [3]. Como a radiação ultravioleta é fortemente absorvida pelo vidro, onde não ocorre nenhuma (liberação de composto para agua), pode-se concluir que os fótons absorvidos pela molécula de água e acarretando nela possíveis modificações benéficas para o consumo humano são aqueles com comprimento de onda de 900, 1100, 1400, 1900 e 2550 nanômetros (nm), de acordo com a primeira lei da fotoquímica [4].

        Entretanto a radiação nessa região só é capaz de interagir com a molécula causando aquecimento, originados de movimentos de vibração e translação da molécula, não sendo a energia associada aos fótons nesses comprimentos de onda suficientes para causar uma reação fotoquímica. [5]. É pouco provável que ocorra liberação de gases flúor da água dentro da garrafa somente em função de um pequeno aumento de temperatura, que não deve ultrapassar 5 graus em relação a temperatura ambiente.

        A autora cita que devido a água ser boa condutora de eletricidade ela “limpa a toxidade das células”. Primeiro ponto a ser esclarecido é que a água não é boa condutora de eletricidade. A solução salina (sais dissolvidos + ) que é. A autora não especifica o que ela quer dizer com “toxidade da célula”. Ela diz que a água solarizada é recomendada para quem tem “problemas de saúde” e tem o poder de limpar do subconsciente memorias negativas, fazendo com que o indivíduo tenha melhor qualidade de vida. Ainda relata que conversar com a água, dizendo palavras amorosas antes de bebe-la, faz com que se forme nela cristais que potencializam a transmutação do DNA, o que aumenta sua eficiência (é citado o “Dr. Masaru Emoto”), o que [6] expõe como sendo um grande charlatanismo cientifico. Ela não dá explicações quânticas ao longo do vídeo, usando um título equivocado em sua postagem, mas que atrai pessoas e rende financeiramente para a autora, sendo, portanto, uma forma de charlatanismo cientifico.

Conclusão:

        Conclui-se que as afirmações apresentadas pela autora do vídeo em nada estão correlacionadas com os conceitos da física quântica, tampouco com conceitos científicos.

 

Referências bibliográficas:

Tanaka Y., Matsuo K. Non-Thermal Effects of Near-Infrared Irradiation on Melanoma. Breakthroughs in Melanoma Research. 2010.

Cezar J., Dos Santos, P., et al. Optical behavior of translucent glasses and polycarbonates against solar radiation. Matéria (Rio de Janeiro), 23, 3, 2017.

UFPR. Radiação solar incidente. Link: https://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo/cap2/cap2-7.html. (acessado em 19/02/2021).

Wikipedia. Electromagnetic absorption by water. Link: https://en.wikipedia.org/wiki/Electromagnetic_absorption_by_water. (acessado em 19/02/2021).

Wikipedia. Photochemistry Concept. Link: https://en.wikipedia.org/wiki/Photochemistry#Concept. (acessado em 19/02/2021).

Yamashita. Água não tem memória e gelo não se emociona. Link: https://www.revistaquestaodeciencia.com.br/questao-de-fato/2019/02/02/agua-nao-tem-memoria-egelo-nao-se-emociona (acessado em 19/02/2021). 

terça-feira, 30 de julho de 2019

CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS MODELOS DE ARISTÓTELES E PTOLOMEU SOBRE A NATUREZA DAS COISAS


CONSIDERATIONS ABOUT ARISTOTHEL MODELS AND PTOLOMEUM ON THE NATURE OF THINGS


Wenderson Rodrigues F. da Silva - Viçosa, 08 de junho de 2019.

Há entre os filósofos da Grécia antiga dois expoentes principais, cujos ideais e ensinamentos perduraram por mais de quinze séculos. São eles Aristóteles de Estagira (384 a.C. - 322 a.C.) e Ptolomeu de Alexandria (168 a.C. - 90 a.C.). Suas principais contribuições estão no campo da filosofia natural, como era chamada à época. Aqui será tratado, de forma breve, as principais contribuições desses filósofos para o entendimento da natureza, que deram um passo fundamental para seu progresso e sistematização.
Além de suas contribuições à filosofia, Aristóteles era um naturalista. Desenvolveu modelos acerca dos seres vivos, na descrição e classificação de animais e vegetais, como se vê em seu tratado “Sobre a alma”, no qual estabelece as primeiras formas de classificação dos seres vivos [1]. Ele achava que cada parte de um ser vivo assumia um fim determinado, pois, caso contrário, não seria concebível sua existência [1]. 
Seus estudos do mundo abrangeram também o campo da astronomia, física e mecânica, como chamamos hoje. Na teoria aristotélica do movimento, concebeu a ideia de lugar natural, que o levou a concluir que corpos pesados caem mais rapidamente que os leves. Desenvolveu um modelo para o cosmos, colocando a Terra, estática e esférica, no centro do universo, finito e esférico. Dividiu o mundo em sublunar (corruptível) e supralunar (incorruptível).
Seus ensinamentos contribuíram durante séculos para aqueles curiosos sobre o mundo. No século XIII, com Tomás de Aquino, a igreja católica adotou seus ensinamentos sobre filosofia, cosmologia e física [2]. Só no renascimento, com Galileu Galilei, é que as concepções acerca do mundo iriam mudar, de forma a contribuir para o abandono de grande parte das ideias de Aristóteles sobre a natureza das coisas.
            Enriquecendo a herança sobre os modelos astronômicos deixadas por Hiparco de Nicéia (190 a.C. - 120 a.C.), Cláudio Ptolomeu contribui para um modelo do cosmo que viria a durar por mais de quatorze séculos. Fixou a Terra no centro de um universo esférico e finito, que rotacionava em torno dela por combinações de movimentos uniformes e circulares, de leste para oeste. Impôs aos planetas o epiciclo, cujo centro se movia em torno da Terra sobre a circunferência de outro círculo, o deferente, cujo centro não coincidia com o da Terra. Com os epiciclos, Ptolomeu conseguiu explicar a posição dos planetas e os retrocessos no movimento de Marte. Ele expôs sua obra num compêndio de treze volumes chamado de “grande composição matemática”, que recebeu dos tradutores árabes, mais tarde, o título de “Almagesto”.
          Além do eminente trabalho como astrônomo, Ptolomeu era um grande geógrafo. Desenvolveu uma forma de representação da superfície esférica da Terra sobre uma superfície plana, criando um sistema de projeções. “Os paralelos são círculos com centro no polo norte e os meridianos círculos que convergem no polo” [4]. Descreveu o entorno do mediterrâneo com considerável precisão para a época, lançando mão de fontes como os mapas feitos pelos militares do Império Romano.
      Ambos os modelos desenvolvidos pelos dois eminentes sábios gregos contribuíram para o progresso da ciência como a conhecemos hoje. Aristóteles, por meio de sua classificação e observação empírica da realidade pode construir um sistema de “banco de dados” que contribui significativamente para a transferência e continuidade de seus estudos. Na perspectiva das teorias modernas sobre a ciência, Aristóteles apresenta traços indutivistas, devido a suas generalizações acerca dos experimentos que fazia e também um forte aspecto dedutivista, porém achava que “dada as premissas preconcebidas poderia se chegar a deduções lógicas”[1], mas ainda não foi capaz de associar as premissas a observações e experiencias, como fizera mais tarde Galileu.
       Já Ptolomeu buscou formas de adaptar o modelo de Hiparco à realidade observada, impondo hipóteses “ad hoc” para explicar os movimentos dos planetas que não estavam em concordância com o modelo geocêntrico. Mesmo com essas hipóteses, que hoje sabemos estarem erradas, os trabalhos de Ptolomeu foram amplamente aceitos, principalmente pelo fato de poderem prever acontecimentos celestes, como os eclipses e as posições dos planetas.
        O que chamamos de física, astronomia, biologia, cosmologia, geografia (parte física e cartográfica) entre outras, tem, em grande parte, contribuições de Aristóteles e Ptolomeu. Contribuições que, mesmo hoje sabendo que algumas delas estão equivocadas, foram de suma importância para que outros sábios continuassem a investigar e questionar o comportamento da natureza, e desenvolver tecnologias cada vez mais sofisticadas e, principalmente, para aprimorar o intelecto humano acerca do entendimento do cosmos.
Referências Bibliográficas
·         [1] Enciclopédias Prática Jackson
·         [2] The Scholastics - https://www.hetwebsite.net/het/schools/scholastics.htm. Acesso em 07 de julho de 2019.
·         [3] https://en.wikipedia.org/wiki/Aristotle#/media/File:Aristoteles_Louvre.jpg. Acesso em 07 de julho de 2019.
·         [4] https://en.wikipedia.org/wiki/Geography_(Ptolemy). Acesso em 07 de julho de 2019.



quinta-feira, 4 de julho de 2019

BREVE RELATO DOS ESTUDOS SOBRE A LUZ

BRIEF REPORT OF LIGHT STUDIES
Espectro de emissão do mercúrio[1].

Wenderson Rodrigues F. da Silva - Viçosa, 04 de julho de 2019.

  A luz é uma ocorrência da natureza que está diretamente ligado a grande parte dos fenômenos naturais. A evolução dos organismos primitivos (bactérias, archaeas, briófitas...) se deu, em grande parte, com a influência da luz. Graças a ela, esses organismos primitivos evoluirão e, em ciclos cada vez mais energéticos, originaram os seres mais complexos que conhecemos hoje (pteridófitas, gimnospermas, angiospermas, mamíferos...). A importância da luz foi lembrada até no momento da criação do planeta, segundo a doutrina cristã, descrita pela bíblia, no livro do Genesis, compilado: “Deus disse - faça-se a luz.  E a luz foi feita”.
Hoje sabemos, graças a várias pessoas curiosas a respeito das ocorrências da natureza (os cientistas), que a luz nem o planeta foram criados como retratado, em particular, no livro do gêneses. Uma formulação a respeito da luz, que se fundamentou por observações, teve início, pelo menos na história ocidental, com Euclides (325 a.C. - 265 a.  C.) que, no seu tratado Optica, descrevia a luz como raios que partiam dos olhos para os objetos e que eles viajavam em linha reta. Posteriormente foram vários os cientistas que buscaram descrever a luz, Isaac Newton (1643 - 1727), com sua obra Opticks (1704), apresentou a ideia de que a luz é um corpúsculo.
Thomas Young (1773 - 1829), verificou por meio de experimentos que a luz se comporta como uma onda. Já no século XIX, Max Planck (1858 - 1947), e posteriormente, Albert Einstein (1879 - 1955) introduziram o conceito de quanta de energia (mais tarde denominado fóton) e assim atribuiu novamente propriedades corpusculares para a luz.
Newton tentou descrever a luz com o mesmo arcabouço teórico desenvolvido por ele para o estudo da mecânica. Contudo, o modelo não explicava as observações feitas por Christiaan Huygens (1629 - 1695), seu contemporâneo, a respeito dos desvios que a luz sofria ao passar por uma fenda estreita, o que mais tarde Young estudou e descreveu como sendo hoje o que conhecemos como princípio de Huygens.
          Posteriormente, Augustin Jean Fresnel (1788 - 1827) apresentou uma explicação matemática a respeito das observações relacionadas ao desvio da luz ao passar por fendas estreitas. Matematicamente e de um modo simplificado, o seno do ângulo do desvio que um raio de luz sofre ao passar por uma fenda estritamente pequena, da ordem de grandeza do comprimento de onda dessa luz é:
$$ sin(\theta)=\frac{m\lambda}{a},\qquad (m=\pm1,\pm2,\pm3,...) $$
onde a é a largura da fenda, m é a ordem da franja escura considerada e λ é o comprimento de onda da luz utilizada.
Já no final do século XIX, Max Planck introduziu novamente o conceito corpuscular à luz como forma de explicar certos fenômenos, como o observado por Heinrich Rudolf Hertz (1857 - 1894), hoje conhecido como efeito fotoelétrico. De acordo com suas observações, a energia E da luz era quantizada, em pacotes bem definidos, cujos valores dependiam do comprimento de onda da luz, como se segue:
$$ E=h\nu=\frac{hc}{\lambda}$$
onde h é a constante de Planck, $\nu$  a frequência do fóton e c a velocidade da luz no vácuo.
Graças a esses estudos temos aparelhos como lâmpadas, televisores, fibras ópticas, placas solares, máquinas fotográficas, telescópios, entre tantos outros que convivemos cotidianamente. Foi por meio do estudo da luz que foi possível entender o fenômeno da fotossíntese, extremamente importante para diversos organismos vivos que dependem do oxigênio. Desenvolveu-se aparelhos, como espectrômetros, que são destinados a pesquisas e possibilitam realizações de medidas muito precisas. Na  medicina,  indiscutivelmente  se  observou  um  avanço enorme  quando  Wilhelm  Conrad Röntgen  (1845  -  1923),  físico  alemão,  descobriu  os  Raios  X. Graças  ao  intelecto  humano,  a  vontade  pela  busca  do  conhecimento  a  respeito  das  coisas  e muita  persistência,  chegamos  ao  grau  de conhecimento que temos hoje e, a respeito da luz, como vimos, não foi diferente.
Segue-se, abaixo, uma tabela com as principais datas relacionadas aos descobrimentos da óptica.

Datas
Fenˆomeno
Cientista
1609
Invens˜ao do telesc´opio
Galileo Galilei
1621
Lei da Refra¸c˜ao da Luz
Willebord Snell
1704
Publica¸c˜ao do livro Opticks (a luz como particula)
Isaac Newton
1678
Teoria Ondulat´oria da Luz
Christiaan Huygens
1801
Confirma¸c˜oes experimentais da Teoria Ondulat´oria da Luz
Thomas Young
1873
Unifica¸c˜ao da ´optica ao eletromagnetismo
James Clerk Maxwell
1899
1904
F´oton de luz (a luz como particula)
Explicação teórica para o Efeito Fotoelétrico
Max Planck
Albert Einstein

Tabela 1: Alguns dos principais descobrimentos relacionados a luz.[4]

Bibliografia

sábado, 20 de abril de 2019

Autoavaliação da disciplina Didática - EDU 155 - UFV


Autoavaliação da disciplina Didática - EDU 155 - UFV

Wenderson Rodrigues Fialho da Silva – Viçosa, 30 de Junho de 2017


Professorada disciplina 2017-I: Rita de Cássia de Alcântara Braúna.
  •  Você em relação ao conteúdo trabalhado - sua apreensão, crescimento ...
Não tenho dúvida que o curso de didática foi produtivo, principalmente no que concerne ao amadurecimento das minhas perspectivas e expectativas em relação ao ato da docência. O meu crescimento se deu principalmente por ter compreendido que o ato da docência, quando exposto ao grande leque de realidades conflitantes existentes no ambiente de ensino é algo complexo, pois quanto mais nítida é a realidade da sala de aula para o professor mais complexa vai ficando a atuação eficiente desse para com todos e, se assim o fizer, o professor se submete a mais uma responsabilidade, além daquela cujo essência seria provocar o conhecimento.
  • Você em relação à metodologia utilizada na disciplina - afinidades, dificuldades...

   A forma como o conteúdo foi apresentado foi importante, pois, com uma metodologia diversificada, pode-se maior afinidade por uma em detrimento de outras, possibilitando uma visão empírica da pratica docente em sala de aula. Com isso, ficou evidente que a diversificação da forma como um conteúdo é apresentada é importante, pois, como se sabe, há uma diversidade grande de alunos em sala de aula e, com isso, diversificar a forma como se apresentar um conteúdo é fundamental para tentar “atender” a todos, haja visto que quanto maior for a interação dos sentidos do individuo no processo de ensino aprendizagem mais eficiente será os resultados.
  •  Você em relação às atividades desenvolvidas em aula - participação, contribuição...

     Não tive a participação que visava ter no começo do curso. Não me sentir à vontade. Muitas foram as vezes que discuti com os colegas do lado sobre assuntos que estavam sendo discutidos em sala, mas não expus o que estava pensando em roda. Um dos fatores que levaram a isso foi, sem dúvida, o raso aprofundamento que eu fazia dos textos, dedicando pouco tempo e basicamente me inteirava dos assuntos ouvido os debates em sala e lendo os breves texto. Para o trabalho do seminário, especificamente, li o lendo o livro, juventude e ensino médio, seção I e seção II, quando uma das integrantes do grupo, faltando três dias para o seminário, me disse que era para a gente recortar um assunto específico sobre o tema, no caso a EJA, e apresentar sobre ele, pois ela tinha uma pesquisa em uma escola da cidade e isso ajudaria no trabalho. Isso atrapalho as ideias do grupo e, no final, pouco auxiliou o texto base trouxe. Isso prejudicou o grupo.
  •  Você em relação ao seu desempenho nas avaliações;
Fui mediano, tive resultados pouco acima da média. Talvez por não ter me reiterado mais sobre os temas, principalmente em questões de cunho conteudistas. As outras formas de avaliações eu ainda não tive acesso ao meu resultado para verificar meu desempenho, contudo, achei bem dividido as notas em relação a quantidade e a formas de atividades propostas.
  •  Outros aspectos não relacionados.
Eu gostei do curso mas acho que o nome da disciplina deveria ser outro. Segundo a seguinte definição do winkpidia:
A palavra didática (AO 1945: didáctica) vem da expressão grega Τεχνή διδακτική (techné didaktiké), que se pode traduzir como arte ou técnica de ensinar.

    Chegamos, ou melhor, pelo menos eu cheguei, pensando que a disciplina iria nos proporcionar técnicas e métodos para se produzir uma boa aula. No primeiro dia de aula isso já foi desconstruído. Entretanto chegamos até a aprender algumas formas de elaborar e de lidar com certas situações mas, como eu disse, não foi o que eu imaginei. Ressalto que nem por isso não foi válido, pelo contrário, foi bom e construtivo para mim. Aprendi sobre coisas, que eu já até esqueci, mas que no inconsciente vão me norteando na forma como conduzimos as coisas, principalmente no ambiente escolar. Fiz o download de todos os materiais, com faço com todas as disciplinas, para um dia eu, coso desperte o interesse, vir a relembrar sobre algum tema específico.
  • Após desenvolver a sua autoavaliação, observando os elementos acima, atribua a si mesma(o) uma nota - de 0 a 10, justificando-a.
Atribuo nota seis e meio ao meu rendimento. Como já mencionei acima, foi importante escutar a todos, aprender sobre o ambiente escolar, suas particularidades essenciais e distintas. Foi importante também fortalecer a ideia de que a escola é um ambiente de construção do cidadão e que nós professores somos uma importante peça desse quebra cabeça. Quero agradecer a professora e a suas auxiliares por nos proporcionar um ambiente onde se pode discutir ideias importantes, que talvez não seriam discutidas em outros momentos da nossa formação. Aprendi escutando a todos, obrigado.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Nota sobre conflitos no âmbito escolar


CONFLITOS NO ÂMBITO ESCOLAR

                                                            Wenderson Rodrigues Fialho da Silva - UFV, ‎9‎ de ‎maio‎ de ‎2017

Síntese da roda de conversa com a professora Rita de Cássia Souza - DPE - Universidade Federal de Viçosa


A professora Rita Souza (UFV) trouxe para nós, da turma de didática, alguns temas relacionados aos conflitos que ocorrem na escola e em sala de aula. No início a professora propôs um “aquecimento” para os alunos, pois ela julga ser importante um mínimo de dinamização do corpo humano em sala de aula, dinâmica esta que no sistema atual é praticamente vetada, pois o modo como a sala de aula é organizada e as atividades são apresentadas não possibilitam tais atividades. Logo após, foi levando vários relatos, por parte dos alunos, de casos de violência na escola, violência física e verbal que estes tiveram algum contato, de forma direta ou indireta (via amigos). Foi discutido o papel do professor e do corpo escolar na intervenção e possível prevenção de tais conflitos, que surgem das mais variadas formas, como a rebeldia, indisciplina, bullying, infrações, danos ao patrimônio, dente outros. Discutimos a respeito da indisciplina, fator de grande peso que leva a tais condutas indesejadas.

          Foi levantado algumas hipóteses referentes a como lidar com estes conflitos que são comuns ao ambiente de trabalho do professor. Mediante a pesquisas feitas pela professora Rita Souza, foi possível analisar alguns dados tragos por ela para que pudéssemos verificar o que costuma funcionar e o que não costuma funcionar quando se tem um conflito para se resolver. Contudo pode-se concluir que o melhor é sempre trabalhar de modo a prevenir estes conflitos, uma ideia simples mas que na prática pode ser difícil de se conceber, haja visto que tal conduta está diretamente ligada com o perfil do professor, especificamente.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

QUAL O PAPEL DAS MICAS (MUSCOVITA) NOS FERROS DE PASSAR ROUPAS ANTIGOS?

WHAT IS THE ROLE OF MICAS (MUSCOVITA) IN IRONING OF OLD CLOTHING?
  • 1 Qual o papel das micas nos ferros de passar roupas antigos?
  • 2  Quais as propriedades destes minerais que os tornam úteis para tais fins?
  • 3.  Por qual material esse mineral foi substituído nos ferros de passar modernos?

As micas, como a muscovita, biotita, lepidolita, fuchsita, entre outras, pertencem a um grupo de minerais silicatados (os filossilicatos, do grego φύλλον phyllon, folha) cuja estrutura possibilita a obtenção de finas lâminas, as quais apresentam propriedades térmicas, ópticas e elétricas apropriadas para usos em equipamentos eletroeletrônicos, elétricos e térmicos.
Um desses usos é o emprego de lâminas finas de muscovita na estrutura responsável pelo aquecimento dos ferros de passar roupas mais antigos. A muscovita, como as outras micas, apresentam propriedades térmicas como, alto ponto de fusão (temperatura a partir da qual um sólido começa a derreter), em torno de 600ºC [1]; baixa condutividade térmica (0,7 W/mK)[2], em comparação, por exemplo, com o diamante (1000 W/mK )[2] e o cobre (90..400 W/mK)[2], esse ultimo conhecido bom condutor de calor. Isso porque quando aquecida, o calor demora muito para se espalhar ao longo de sua estrutura, ou seja, a energia fornecida em forma de calor quase que fica somente no local onde o aquecimento ocorreu, isolando o calor fornecido naquela região, sendo, portanto, um isolante térmico, diferente dos metais, como o cobre citado acima, ou o alumínio em uma panela que, quando segurada pelo cabo e aquecida, logo se percebe o calor chegando nas mãos. Exibe também propriedades elétricas como dieletricidade (é um isolante elétrico, ou seja, a “força elétrica” (voltagem necessária para fazer a mica conduzir eletricidade (romper essa rigidez dielétrica) é de cerca de (118.000 volts/1 centímetro de espessura de mica [3]), ou seja, em aplicações usuais, a mica é um ótimo isolante elétrico, o que implica que ela tem uma alta resistência a passagem de eletricidade em sua estrutura (alta resistência elétrica).
No caso dos ferros de passar roupas antigos, a mica atua não como o resistor (o responsável por converter energia elétrica em energia térmica (efeito Joule)) mas sim como um radiador dessa energia convertida por um filamento metálico (imagem 1), comumente, de níquel-cromo (o mesmo utilizado nos secadores de cabelos e nas resistências de chuveiros). Esse radiador de calor gerado pelo filamento, distribuí a energia térmica para o ferro de passar não somente por condução( pelo contato direto da muscovita com a carcaça do ferro), mas principalmente por radiação (as micas são boas radiadoras de calor, com coeficiente de emissividade igual a 0,75 [4], sendo os materiais mais emissivos tendo valores máximos próximos de 1), além de isolar o filamento do restante da carcaça do aparelho.

Figura 1 - Resistência de Mica de um ferro de passar

            Vale lembrar que o calor se propaga por três modos: condução (onde há o contato direto do corpo quente com o corpo frio), por convecção (onde a transferência da energia térmica se dá pelo deslocamento de massas de algum fluido, líquido ou gás, saído de uma região fria para uma mais quente e, com isso, transferido calor para sua vizinhança nesse trajeto) e por radiação, onde a energia se propaga por meio de ondas eletromagnéticas com propriedades específicas, as quais possibilitam essas ondas interagirem com a matéria e transferirem sua energia em forma de calor. Quando mencionado que as micas possuem baixa condutividade térmica, estava referindo a baixa condutividade térmica para a transferência de calor por condução. No ferro de passar a mica transfere esse calor gerado pelo filamento principalmente  por radiação (há transferência por condução na região de  contato com o filamento também), ou seja, o filamento aquece a uma temperatura que o faz emitir ondas eletromagnéticas na região do infravermelho (com comprimentos de onda associados a temperatura do filamento) e a mica absorve essas “ondas de calor” e as reemite, de forma estável e uniforme ao logo de sua estrutura (ponto principal que justifica seu uso, além do isolamento), para todas as direções, e essas ondas interagem com a carcaça do ferro de passar e o aquece, sem que haja o contato direto, transferindo o calor para ele e elevando sua temperatura.
 Mas porque ao invés de usar a mica não colocar o filamento aquecido pela passagem da corrente elétrica diretamente em contato com a superfície de aquecimento do ferro de passar? A resposta é simples, isso poderia causar um choque em quem manuseia o aparelho, tendo em vista que, caso ele tocasse sobre sua parte metálica, que por sua vez estaria em contato com o fio que é percorrido por eletricidade, faria com que essa eletricidade viesse a passar pelo seu corpo, produzindo contrações musculares, o famoso choque elétrico. Portanto as micas têm um segundo papel importante nessa história, isolar eletricamente o filamento do resto do equipamento, evitando possíveis choques.
Os ferros modernos mais simples usam como elemento de aquecimento ainda um filamento de uma liga metálica mas como radiador, não mais a mica, mas sim materiais com propriedades semelhantes, como algumas cerâmicas.  Procurem na internet sobre heating elements e também por Micathermic heater.
Das micas, a muscovita é a mais utilizada, principalmente devido a sua maior estabilidade química nas condições ambientes (por exemplo, a biotita se intemperiza muita mais rapidamente nas condições normais de pressão e temperatura, principalmente por ter em sua constituição o ferro, que se oxida facilmente, mudando a estrutura do mineral e o modificando (intemperizando)).  A muscovita é empregada em várias outras aplicações, dentre elas, o seu uso na eletrônica em  válvulas termoiônicas e em capacitores elétricos, onde atuam com isolantes elétricos dos terminais das válvulas e das placas dos capacitores, respectivamente. Em contadores Geiger (medidores de radiação ionizante) a muscovita é usada com janela para passagem da radiação alfa para dentro do tudo detector, cujo interior é de um vácuo de gás e a mica tem o papel de manter esse vácuo e deixar as partículas entrarem, pois outros materiais, como o alumínio, por exemplo, manteria o vácuo no tubo mas não deixaria as partículas entrarem. Na óptica. utiliza-se a muscovita em polarizadores de luz visível, devido a sua estrutura possibilitar o fenômeno da birrefringência nessa região do espectro eletromagnético.

#Em breve postarei aqui alguns experimentos sobre a birrefringência da muscovita e de um outro mineral opticamente especial, a calcita. 

Wenderson Rodrigues Fialho da Silva – Viçosa, 16 de julho de 2018



[1] http://hyperphysics.phy-astr.gsu.edu/hbase/Geophys/meltrock.html                                                    [2] http://www.universal-science.com/wp-content/uploads/2012/08/Thermal-conductivity-table.pdf                                                                                                                                                                [3] https://en.wikipedia.org/wiki/Dielectric_strength#cite_note-CRC-6                                                        [4] https://www.omega.com/temperature/z/pdf/z088-089.pdf

                                                                                                        

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