terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Projeto de uma cozinha planejada - Maquete 3D.

    Esse trabalho foi produzido com auxilio de software de modelagem 3D SketchUp em setembro de 2021 para uma cliente da Família.


    Nesse projeto, também fiz as instalações elétricas, cálculos para compra de materiais (lajotas, azulejos, cimento, argamassa...) e o dimensionamento de soleiras para portas e janelas, balcão e pia, os quais auxiliaram na produção dessas peças na Marmoraria. As imagens são apresentadas a seguir.




Abaixo, um vídeo apresentado o projeto com mais detalhes. 








domingo, 31 de outubro de 2021

Demonstrações experimentais sobre a Lei de Lenz e os freios magnéticos

OBJETIVO

      Realizar demonstrações experimentais sobre o fenômeno da indução eletromagnética afim de investigar a Lei de Lenz e a Lei de Faraday, bem como mostrar a aplicação do fenômeno nos freios magnéticos.

CONTEXTO TEÓRICO

          Dá-se o nome de indução eletromagnética o fenômeno relacionado a geração de uma diferença de potencial elétrico (voltagem ou FEM induzida) induzida em um fio pela variação do campo magnético próximo a ele. Tal voltagem é gerada pelo movimento relativo entre o fio e um campo magnético. Michael Faraday (1791-1867) foi quem descobriu, em 1831, paralelamente ao cientista americano Joseph Henry (1797-1878), o fenômeno da indução eletromagnética, contudo, credita-se a descoberta à Faraday, por ter feito investigações mais exaustivas sobre o assunto e ter publicado os seus trabalhos. 


Figura 1 – (A) Michael Faraday. (B) laboratório de Faraday na Royal Institution e (C) esquema elétrico de um dos experimentos de Faraday, onde fios enrolados em um anel metálico eram, de um lado, ligados aos terminais de uma fonte de tensão e, do outro, a um galvanômetro, destinado a medições das correntes elétricas geradas.

        A lei da indução eletromagnética ou Lei de Faraday afirma que: “A voltagem induzida em uma bobina é proporcional ao produto do número de espiras pela área da seção transversal de cada espira e pela taxa com a qual o campo magnético varia no interior dessas espiras”. Heinrich Lenz (1084-1865), em 1834, foi quem fortaleceu a lei de Faraday com os resultados observados por ele. A descoberta de Lenz, conhecida como Lei de Lenz, é enunciada como: “o sentido da corrente elétrica induzida é tal que o campo magnético por ela criado é oposto à variação do fluxo magnético que lhe deu origem”.

        A lei de Faraday-Lenz é expressa matematicamente como:
$$ε=- N\frac{∆∅}{∆t},\qquad(1)$$

onde $ε$ é a voltagem induzida, $N$ é o número de espiras e $\frac{∆∅}{∆t}$ é a variação do fluxo magnético $∆∅$ no tempo $∆t$.

EXPERIMENTO 1

MATERIAIS

        Um suporte universal; uma barra de 10x5 cm de chumbo; uma forma de pizza de alumínio; linha de algodão; imãs de neodímio-ferro-boro (super imãs). Os materiais são apresentados na imagem da Figura 2(A) e 2(B) abaixo:

Figura 2 – Forma de alumínio e barra de chumbo em (A), em (B) um suporte universal com garra, já com o pêndulo montado. Em (C), tubo de alumínio perfurado, espuma, tubo plástico, barra metálica e imãs, utilizados na demonstração. Note que todos os materiais utilizados, exceto a espuma e o imã, são paramagnéticos, ou seja, são fracamente atraídos por campos magnéticos.

METODOLOGIA 

  1. De início, posicione a barra de chumbo em uma bancada.
  2. Amarre o parafuso com a linha e fixe-o no imã maior. Prenda o outro extremo na linha na garra do suporte universal, de modo a formar um pêndulo e a deixa-lo próximo, mas não encostado, na superfície da barra de chumbo.
  3. Desloque o pêndulo de sua posição de equilíbrio e deixe-o oscilar sobre a superfície da placa de chumbo.
  4. Repita o procedimento para a forma de alumínio.
        Vejam o vídeo 1 abaixo com a execução do experimento 1 e 2 abaixo:
Vídeo 1 – Demonstração experimental sobre a Lei de Lenz e os freios magnéticos.

EXPERIMENTO 2

MATERIAIS

        Um tubo de alumínio de diâmetro interno de 1cm e 50 cm de comprimento, previamente preparado pelo professor com furos ao logo de sua superfície (Figura 2C); um suporte universal; uma espuma; um parafuso de ferro; barra de ferro de 5 cm; um pedaço de 5cm de lápis; imãs de neodímio-ferro-boro (super imãs).

Observação: os furos no tubo são utilizados para visualização das amostras que passaram pelo seu interior, mas não são necessários para que o fenômeno observado ocorra.

METODOLOGIA

  1. Prenda a barra perfurada ao suporte na direção vertical.
  2. Posicione a espuma no gargalo inferior do tubo.
  3. Solte o pedaço de lápis e observe sua queda pelos orifícios do tubo.
  4. Solte agora a barra metálica.
  5. Por fim, solte o imã e observe sua queda.

QUESTIONÁRIO

  1. Como foi o movimento de oscilação executado pelo pêndulo, foi pouco ou muito amortecido?
  2. Descreva como foi o movimento de queda dos objetos estudados com o tubo cilíndrico?
  3. Qual foi o efeito, nos dois experimentos acima, do campo magnético sobre os movimentos esperados dos objetos estudados.

EXPERIMENTO 3 – Demonstrando a Faraday-Lenz.

MATERIAIS

       Um galvanômetro; uma bobina de 400 espiras; um imã; fios para conexão; lanterna mecânica; detector de polaridade magnética previamente disponibilizado pelo professor. Alguns dos materiais são apresentados na imagem da Figura (3) abaixo.

Figura 3 – Galvanômetro em (A), bobina em (B) e, em (C), um imã.


METODOLOGIA

  1. Meça, utilizando o detector de polaridade magnética, os polos do imã, e, com uma caneta, marque-o, como norte ou sul.
  2. Conecte o galvanômetro a bobina utilizando os fios, como descrito no esquema da Figura (3(B)) acima.
  3.  Aproxime o imã da bobina e observe o ponteiro do galvanômetro.
  4. Mude a polaridade do imã e e aproxime-o novamente, com foco na observação do ponteiro do galvanômetro. Anote o que muda quando se inverte a polaridade do imã.
  5. Aumente a frequência das aproximações do imã na bobina (aproximando-o e afastando-o mais rapidamente). Observe como o galvanômetro registra a FEM induzida.
  6. Aumente a amplitude das aproximações (aprofundando mais o imã no interior da bobina e afastando-o, quando retirá-lo). Observe como o galvanômetro registra a FEM induzida.
  7. Demonstre, com a lanterna mecânica, a geração de eletricidade em motores de indução.
Vejam o vídeo 2 abaixo com a execução do experimento 3:
Vídeo 2 – Demonstração experimental sobre a Lei de Lenz e os freios magnéticos.

QUESTIONÁRIO

  1. O que se observa no galvanômetro quando o imã é aproximado da bobina? Invertendo sua polaridade, o que se observa ? Analise o resultado de sua observação com base na lei de Faraday-Lenz.
  2. Aumentando a amplitude das oscilações, o que se observa em relação a FEM induzida ?
  3.  Aumentando a frequência de oscilação, o que se observa em relação a FEM induzida ?
  4. Explique o princípio de funcionemento do gerador de eletricidade da lanterna tendo como base na lei de Faraday-Lenz.



quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Construção de isotermas dos gases de van der Waals e de Dieterici

(Construction of the van der Waals and Dieterici gas isotherms)

Wenderson Rodrigues F. da Silva - Viçosa, 30 de setembro de 2021.


Objetivos

        Esse trabalho tem como objetivo construir os gráficos $PxV$ das isotermas e da função livre de Gibbs $G$ em função da pressão $P$ para os gases de van der Waals e de Dieterici, bem como identificar neles a temperatura crítica e a linha de coexistência de fases.

Introdução

        Quando se deseja estudar as propriedades termodinâmicas de um gás a escolha de um modelo matemático adequando é determinante para obter boa precisão na descrição do sistema. No estudo de gases muito rarefeitos (baixa pressão) e a temperaturas elevadas, um modelo simples é o de um gás ideal, mostrado na equação (1):

$$PV_m = RT,\qquad(1)$$

onde $P$ é a pressão, $V_m$ é o volume molar, $T$ a temperatura e $R$ a constante real dos gases. Tal modelo não leva em consideração o volume ocupado pela molécula, bem como a interação entre elas.

        Um modelo mais completo que consegue descrever com mais exatidão as propriedades termodinâmicas dos gases é apresentado na equação (2) abaixo, denominado gás de van der Waals, em que é levado em consideração as interações intermoleculares (parâmetro $a$), assim como o volume ocupado pela molécula (parâmetro $b$, que leva em conta o tamanho da molécula do gás, limitando sua liberdade em mover-se em todo volume do recipiente que o contem).

$$\left(P + \dfrac{a}{V_m^2}\right) (V_m - b) = RT.\qquad(2)$$

        Uma reformulação da equação acima, leva ao modelo de e Dieterici, proposta por Conrad Dieterici em 1899.

$$P (V_m - b) = RT e^{-a / RTV_m}.\qquad(3)$$

        Aqui será construir gráficos da função livre de Gibbs $G$ em função da pressão $P$ para o gás de van der Waals e para o gás de Dieterici, identificando a temperatura crítica (temperatura acima da qual não pode coexistir, em equilíbrio, as fases liquidas e vapor para uma substância) no gráfico e a linha de coexistência de fases.

Metodologia

        Implementou-se um programa em Python 3.7 para obter as isotermas e a função livre de Gibbs para o gás de van der Waals e para o gás de Dieterici. Para isso, utilizou-se das equações (2) e (3) com as coordenadas reduzidas $T^* = \dfrac{T}{T_c}$, $P^* = \dfrac{P}{P_c}$ e $V^* = \dfrac{V}{V_c}$, onde $T_c$, $P_c$ e $V_c$ são a temperatura, pressão e volume reduzidos, respectivamente. Então, para cada valor de $T$ escolhido para análise, fez-se também o cálculo da integral $\Delta G = \int Vdp$ via integração numérica utilizando o método dos trapézios.

        Desse modo, fez-se com que os valores obtidos de $p$, $V$ e $\Delta G$ fossem escritos em três colunas em arquivos separados, um para o gás de van der Waals e outro para o gás de Dieterici.

Resultados e Discussões

        Com os valores obtidos de $p$, $V$ e $\Delta G$, um para o gás de van der Waals e outro para o gás de Dieterici, e com o auxílio do software Origin, plotou-se os gráficos das Figuras (1), (2) e (3) abaixo.

        Na Figura (1), pode-se observar que, para certas regiões do diagrama $\Delta G \times p$, a energia livre de Gibbs assume mais de um valor. Nesses casos, os estados estáveis são aqueles para os quais a energia livre de Gibbs é mínima. 

Figura 1 - Isotermas para os gases de (A) van der Waals e (C) Dieterici. Em (B) e (D), vemos os respectivos comportamentos de $\Delta G$ em função de $p$.

        Na Figura (2), os dois pontos destacados na isoterma no diagrama $p \times V$, ligados pela reta horizontal (construção de Maxwell), possuem um mesmo valor de $\Delta G$, indicado pelo ponto B, e representam duas fases em equilíbrio. Ao repetirmos este procedimento para os diferentes valores de $T*$, podemos determinar a região de coexistência das fases.

Figura 2 - Isoterma de van der Waals para a temperatura reduzida $T^* = 0,9$. A reta tracejada, que liga os pontos em equilíbrio, corresponde a $p = 0,64$.

        Os valores de $p$ utilizados para traçar as retas horizontais nos gráficos da Figura (3) abaixo foram obtidos dos gráficos de $\Delta G$, na Figura (2) (B e D), levando o cursor até o ponto de equilíbrio de fases. Se traçarmos uma curva ligando os pontos destacados no gráfico, teremos uma região delimitada de coexistência das fases líquida e gasosa.

Figura 3 - Isoterma de van der Waals para a temperatura reduzida $T^* = 0,9$. A reta tracejada, que liga os pontos em equilíbrio, corresponde a $p = 0,64$.

Código em Python 

from math import exp

T = float(input('T* = '))

V = 0.51                                 #float(input('Valor inicial de V* = '))

delta = 0.0005                        #float(input('Tamanho dos subintervalos = '))

n = 10000

# Gás de Van der Waals

V1 = V

area = 0

with open(f'T3_VDW_T={T}.txt', 'w') as file:

    for i in range(0, n):

        p1 = (8 * T) / (3 * V1 - 1) - 3 / (V1 ** 2)

        V2 = V1 + delta

        p2 = (8 * T) / (3 * V2 - 1) - 3 / (V2 ** 2)

        h = p2 - p1

        area += (V1 + V2) * h / 2

        file.write('%.4f %7.4f %7.4f %7.4f \n' % (V1, p1, p1, area))

        V1 = V2

file.close()

# Gás de Dieterici

V1 = V

area = 0

with open(f'T3_Dieterici_T={T}.txt', 'w') as file:

    for i in range(0, n):

        p1 = (T * exp(2 * (1 - 1 / (T * V1)))) / (2 * V1 - 1)

        V2 = V1 + delta

        p2 = (T * exp(2 * (1 - 1 / (T * V2)))) / (2 * V2 - 1)

        h = p2 - p1

        area += (V1 + V2) * h / 2

        file.write('%.4f %7.4f %7.4f %7.4f \n' % (V1, p1, p1, area))

        V1 = V2

file.close()

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