quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A Carta do Cacique Seattle, em 1885


Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:

    "O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.
Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.
    Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.
Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.
    Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.
    Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Impactos das tecnologias no Brasil contemporâneo - 1



      Há tempos que a humanidade convive com diferentes formas de tecnologia. Desde a invenção das primeiras máquinas simples, como a roda, até a internet, foram muitos os benefícios que propiciaram o homem evoluir e buscar favoráveis condições de vida. Sabendo disso, é importante analisar os impactos causados pela adesão às novas tecnologias na sociedade brasileira.

     As pessoas estão cada vez mais dependendo de meios de comunicação, como celulares e internet. Com esses meios, podem-se fazer compras, receber e passar informações e se comunicar com pessoas de qualquer parte do mundo. Tudo isso sem ter que sair de casa. Esses avanços trouxeram maior comodidade, praticidade e benefícios para todos que utilizam essas tecnologias.

     Na agricultura e pecuária, vários fatores propiciaram melhores condições para o desenvolvimento da sociedade, tais como, melhoramento genético das plantas e animais, maquinas mais sofisticadas, entre outros. Na saúde exames cada vez mais precisos como, ultrassonografia, eletrocardiograma, todos por computação gráfica, detectam, com mais precisão, problemas de saúde. 
     Todavia, sabe-se que nem todos têm acesso a esses meios de informação e comunicação, o que causa grande disparidade social, pois as parcelas menos favorecidas da sociedade se tornam renegadas à globalização. Outro aspecto negativo é que, mesmo quando disponíveis, os laboratórios de informática das escolas, principalmente públicas, são poucos utilizados. Isso favorece para que pessoas saiam despreparadas para desempenhar funções na sociedade, que, cada vez mais, exige conhecimentos de informática.

     Tendo em vista os aspectos mencionados, pode-se concluir que foram muitos os benefícios que surgiram para a sociedade. Entretanto, há quem ainda não se beneficiou diretamente dessa nova era tecnológica. Para tornar esses meios mais acessíveis, devem-se incorporar ao currículo escolar, aulas de informática e suas tecnologias, desde o ensino fundamental até o médio. Implantar acessos públicos a redes de internet nas cidades e alertar a população para os perigos da rede, são propostas que o governo, por intermédio de suas secretárias, pode executar. E na área da saúde, trocar os equipamentos ultrapassados pelos modernos e mais precisos.


                                     Wenderson Rodrigues - Viçosa, 08 de setembro de 2014





terça-feira, 19 de agosto de 2014

Escravidão Contemporânea



     O tráfico de seres humanos envolve a movimentação de pessoas que são enganadas por propostas fantasiosas de mudança de vida. Sabe-se que a cento e vinte e seis anos a abolição da escravidão foi decretada, mas, até hoje, pessoas acabam sendo sujeitas ao trabalho escravo, exploração sexual e outras formas de abuso. Outros acabam sendo mortos para venda de seus órgãos. Esse crime, que já não mais deveria existir, é uma atrocidade, logo, deve-se desenvolver um trabalho de intervenção e divulgação deste ato criminoso, afim de que ele venha a acabar. 
     As regiões periféricas, subúrbios e interiores são as escolhidas pelos traficantes, pois nelas, esses encontram um maior número de pessoas que vivem à mercê da miséria, buscando uma vida melhor. Jovens de baixa renda, sem escolaridade e informação, são as principais vítimas desses criminosos, que atuam com propostas de trabalho enganosamente promissoras. Muitas vezes a família, erroneamente, apoia essas iniciativas, pois precisa de ajuda financeira em casa e, com os filhos “trabalhando”, essa ajuda virá.
     Diante do que foi dito, nota-se que, problemas sociais como, falta de aceso a educação, informação e condições dignas de sobrevivência, são os principais agravantes. Divulgar este crime, por meio da mídia, em especial nas rádios, principalmente interioranas, é de elevada importância, para que a sociedade civil esteja alerta e cobre ações do poder público. Oferecer assistência aos que já sofreram com o tráfico e colher informações sobre suas origens e ramificações, ajudará na prevenção e no combate. Além disso, devem ser realizadas campanhas de conscientização para que as pessoas fiquem cientes que também podem ser vítimas. E por fim, reforçar a ação penal contra os traficantes.

                                Wenderson Rodrigues – Viçosa, 27 de julho de 2014

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